Posts Categorizados ‘Corinthians

13
mai
08

O PESADELO DA NIKE

A Nike passa por um inferno astral no Brasil. Tudo começou com a polêmica sobre os valores do contrato com a seleção brasileira – cinco vezes menor do que a França vai receber. Depois foi a vez de Ronaldo, um dos seus principais garotos-propaganda, viver situações constrangedoras e nada favoráveis para a empresa norte-americana de artigos esportivos. Agora Flamengo e Corinthians, os clubes com as duas maiores torcidas do país, ameaçam trocar de fornecedor. O time carioca já notificou a Nike e o contrato de 5 milhões de reais pode ser rompido a qualquer momento (Olympikus e Reebok são as favoritas para assumir o posto). Já o Corinthians também tornou pública a sua insatisfação e flerta com a Adidas, maior rival da Nike. Uma grave crise, num dos principais mercados de futebol do mundo.

31
mar
08

O cartel Globo

Apesar dos baixos índices de audiência registrados em alguns jogos de 2007, a Globo nem pensa em perder os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de futebol. A concorrência aberta pelo Clube dos 13 para as temporadas de 2009 até 2011 não teve nenhuma surpresa. Várias emissoras nem apresentaram propostas e a Record, que vinha sendo uma ameaça real, desistiu na última hora, por não concordar com a cláusula que dá a preferência de renovação a atual detentora. E assim o caminho ficou livre.
Quem parece concordar com a Record é o próprio governo federal. Segundo notícia da Folha de S. Paulo, a Secretaria de Direito Econômico produziu um extenso relatório sobre o assunto e o tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica, do Ministério da Justiça) decidiu instaurar inquérito para investigar os contratos realizados nos últimos anos. O fim das cláusulas de exclusividade e de preferência, que permite que essa mesma TV cubra proposta eventualmente maior de concorrente, são os pontos principais desse relatório.
Enquanto isso, a Globo continua mandando no jogo. Em abril serão anunciados pelo Clube dos 13 os valores para esse novo contrato, mas a emissora já disse que a proposta é tentadora (ainda mais para os falidos clubes). E para não ficar sem o produto Corinthians, pela primeira vez o canal pretende transmitir jogos da segunda divisão e 22 partidas do time paulista serão exibidas. Como costumam dizer os comentarias esportivos: trata-se de uma partida de um time só.

22
jan
08

Timão na B é um bom negócio

O que leva uma empresa a gastar 16,5 milhões de reais por ano num patrocínio de um time de futebol que acabou de cair para a segunda divisão? Quando esse time é o Corinthians, muitas outras coisas pesam. Alheio à paixão dos torcedores, os empresários devem ter sangue frio e um bom feeling na hora de escolher a melhor estratégia de marketing e gastar sua verba. Para saber um pouco mais sobre quais são esses fatores, conversamos com Luiz Kaufmann, presidente da Medial Saúde, que fechou contrato com o rebaixado time paulista para a temporada 2008.

Falou-se que a Medial teria interesse em popularizar seus produtos, é isso mesmo? Qual a estratégia da empresa nesse caso?
Nosso produto, por vender saúde, sempre está ligado com esportes, não tem como. E no Brasil quando se fala em esportes, se fala em futebol. E quando se fala em futebol, se fala em Corinthians. Estamos chegando num momento difícil para o corintiano, mas o mesmo tempo especial, pois trata-se de ajudar toda uma nação, que envolve milhões de pessoas de todas as classes sociais, a se reerguer. Queremos fazer parte desse processo. O Corinthians tem características, como determinação, garra, emoção, que foram fundamentais na hora da nossa escolha.

O planejamento era antigo ou a idéia surgiu com a queda do time e toda a exposição na mídia que o fato trouxe?
Tínhamos o interesse de fazer algo ligado ao esporte, mas nada definido. Surgiu essa oportunidade e a negociação teve que ser rápida, pois nossos concorrentes já estavam com as negociações bem mais adiantadas. Fizemos as contas e o retorno que vamos ter com eventos e em exposição da marca na mídia é muito mais interessante do que uma campanha na TV aberta, por exemplo.

12
dez
07

Timão no vermelho

A atual diretoria do Corinthians, que apesar de culpar a anterior pelo rebaixamento é composta por muitos dos mesmos, tenta acalmar a sua desolada torcida com promessas de gestão e planejamento para 2008. A questão financeira é o principal problema, já que o time tem uma dívida de quase R$ 100 milhões e ainda corre o risco de diminuir os ganhos com a queda para a segunda divisão. Pelo estatuto do Clube dos 13, por exemplo, o time filiado recebe apenas 50% da cota de televisão enquanto estiver rebaixado (estima-se que o Corinthians recebia em torno de 20 milhões de reais por ano).

O presidente Andrés Sanchez já disse, também em tom de promessa, que isso não será problema, pois o time vai negociar pessoalmente com as emissoras de televisão as suas cotas para o ano que vem. José Neves Filho, presidente da FBA (Futebol Brasil Associados), que é a empresa gestora comercial da série B do Campeonato Brasileiro, discorda. “Só se o jogo for Corinthians contra Corinthians, porque todos os outros times têm contrato conosco. Ou seja, vão ter que se submeter as nossas regras, assim como já fizeram os outros grandes que caíram. Os jogos de sábado a tarde são nossos e já estamos negociando com algumas emissoras”

Mesmo assim, Neves Filho espera um relacionamento harmonioso com o Timão. “É a segunda maior torcida do Brasil, é claro que teremos uma valorização comercial da Série B. Não só nas transmissões como também nas placas de campo, venda de pacotes pay-per-view e até a possibilidade de naming right (venda do nome do torneio para alguma empresa)”.

21
nov
07

O BRANCALEONE DOS GRAMADOS

Milhares de jogadores de futebol brasileiros atuam no exterior. Se, dentro dos campos, uma minoria consegue brilhar, mais difícil ainda é destacar-se fora dos gramados. Um dos únicos nesse time é Leonardo Nascimento de Araújo, ou simplesmente Leonardo, hoje diretor-executivo de um dos clubes mais importantes do mundo: o Milan, da Itália. Numa época em que é raro presenciar boas atuações fora das quatro linhas, o ex-atleta critica a estrutura atual do futebol brasileiro, não esconde a preocupação com os preparativos para a Copa de 2014 e propõe um novo projeto para o esporte. Responsável por programas sociais na Itália (Fundação Milan) e no Brasil (Fundação Gol de Letra), o dirigente não esconde o desejo de voltar ao País para colocar as idéias em jogo.

As diferenças entre o futebol brasileiro e o europeu residem apenas no quadro econômico ou são também uma questão de organização e competência?
Leonardo: A questão é estrutural, já que competência não falta no Brasil. Há enorme capacidade de gestão, de adaptação às dificuldades e criação. Mas a estrutura dificulta tudo. Existe um sistema que injeta novos capitais, mas passa pela burocracia interna de cada clube, onde não se consegue encontrar a referência para um novo projeto. Isso dificulta muito. Atualmente o presidente, no segundo dia de mandato, já pensa na reeleição. Vivemos sempre a curto prazo.

Há situações em que os clubes brasileiros não podem concorrer, como na venda de jogadores.
Leonardo: Com certeza é impossível. Só que a gente perde nessa concorrência não só para os grandes clubes europeus. Perdemos também para clubes da Ásia, por exemplo. Primeiro pela falta de perspectiva financeira e profissional dos próprios jogadores. Depois devido à estrutura atual. Aprovar um plano de marketing num clube brasileiro é uma guerra. Mas é bom frisar que, quando falo de outros países, uso-os como exemplo, não como modelo. O futebol no Brasil tem 100 anos, identidade, estilo. Não temos que achar que o modelo de lá é bom e é só fazer igual.

A mudança depende dos clubes e, também, das confederações?
Leonardo: Exatamente. O que aconteceu há 40 anos na Inglaterra. “Somos os grandes clubes e achamos que essa estrutura, para nós, não dá.” E assim criaram a Premier League. Ela se administra, luta pelos direitos dos clubes, divide participações, cria novas receitas. Hoje, no caso do Brasileirão, quem compra? Que produto é esse? Quem o conhece no exterior? No exterior, o Campeonato Brasileiro não é visto em lugar nenhum. Se é um produto que só vende internamente, não tem grande valor, mesmo.

Você gostaria de assumir algum cargo no futebol brasileiro?
Leonardo: Pensar sozinho em um projeto é ilusão. Apenas vejo uma estrutura diferente da que existe hoje. É preciso de posição política forte e de grandes líderes. E esses líderes são os clubes, não tem jeito. Hoje não me vejo em nenhum cargo no Brasil. Nem na direção de um clube, porque vou estar sempre ligado a uma política que a cada dois anos muda. O ideal seria fazer parte de um movimento. Precisa existir realmente uma intenção, até do próprio governo, que tem de participar, criar leis e regras. Hoje estou em outra realidade, há dez anos no Milan, me sinto bem. Agora, o Brasil é o meu objetivo, não tem jeito. Se eu estivesse fazendo aqui o que faço lá, estaria mais feliz.

Qual sua posição sobre o Brasil sediar uma Copa do Mundo? Tivemos o exemplo recente do Pan-Americano, que teve um gasto dez vezes maior do que o planejado.
Leonardo: No caso do Pan, as coisas ficaram muito obscuras, infelizmente. Agora, dizer que o Brasil não tem condições de organizar uma Copa do Mundo é um absurdo. Eu sou a favor, desde que exista um objetivo claro. A Copa do Mundo foi benéfica para todos os países que a organizaram. Hoje, a Alemanha tem os melhores estádios da Europa, com estrutura de acesso, rodovias, aeroportos, tudo o que você imaginar.

Exemplos de má gestão, como o do Corinthians, impedem que a credibilidade volte.
Leonardo: Esse é o caso mais claro. Se é feita uma parceria, a gestão é entregue por tantos anos e a força política da situação não sai do clube, não tem como dar certo. No caso do Corinthians, o parceiro entrou com um projeto de curto prazo, de ganhar ou perder, compra Tevez, vende Tevez. Não havia um projeto de longo prazo, de quem é corintiano e quer fazer com que o clube cresça. Você acha que eles pensaram como seria o Corinthians daqui a 15 anos?




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