Tanto o governo britânico quanto o COI estão preocupados com o futuro das obras que estão sendo realizadas para as Olimpíadas de 2012. O medo de ambos é um só: os elefantes-brancos. As negociações com clubes de futebol e rugby para que alguém assuma a gestão do estádio olímpico não param. Além das questões financeiras, a possibilidade da população utilizar os espaços construídos após os Jogos é outro fator preponderante. A General Eletric, um dos patrocinadores TOP, está disposta, assim como fez em Pequim, a investir US$ 700 milhões em projetos “verdes” de novas fontes de energia e saúde, que podem deixar um legado mais limpo e ecológico para a cidade.
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Londres e os elefantes brancos
Os valores dos naming rights
Os Estados Unidos foram os pioneiros a tratar o esporte como entretenimento e negócio. Pelo mesmo motivo, o país é considerado o berço dos maiores contratos de marketing esportivo, como nos casos de naming rights. Na NFL, a famosa liga de futebol americano, tudo começou ainda na década de 1970, quando a distribuidora de alimentos Rich Products pagou meros US$ 1,5 milhão para o Buffalo Bills renomear seu campo para Richard Stadium durante 25 anos.
Mas mesmo por lá a torcida ainda é o maior obstáculo para que esse tipo de estratégia dê certo. Muitos não aceitam, ou simplesmente não gostam, de ver seus estádios com nomes de empresas ou produtos. Tudo precisa ser feito com muito jeito, aliando profissionalismo com emoção, para que patrocinador, que investe uma bolada, o time, que não pode ficar sem essa bolada, e a torcida, que são os consumidores, saiam satisfeitos.
Na década de 90 os valores começaram a mudar, a Ericsson pagou US$ 20 milhões por um contrato de 10 anos com o Carolina Panthers e, em 1999, a FedEx chegou a incríveis 205 milhões por 27 anos para batizar o estádio do Washington Redskins. As empresas são unânimes em afirmar que o investimento vale a pena, tanto pela exposição da marca, quanto pela possibilidade de usar a arena para vender seus serviços ou montar estratégias de relacionamento com seus clientes num ambiente que só o esporte pode proporcionar.
Artigo: as arenas para 2014
Por Vicente Criscio
Semana passada ocorreu o V Congresso Internacional de Patrocínio, no Anhembi. Em dois dias de eventos discutiu-se dentre outras coisas o investimento nos estádios brasileiros para a realização da Copa do Mundo de 2014.
Especificamente na mesa redonda sobre a participação das PPPs (parcerias público-privadas), João Mansur – coordenador do projeto Arena Palestra Itália envolvendo SE Palmeiras e WTorre – , Vladimir Rioli – sócio diretor da Plurisport, empresa de avaliação de projetos de arenas esportivas – e contando ainda com a minha presença, discutimos sobre como deve se encaminhar esse tipo de investimento no Brasil nos próximos anos.
QUAIS LOCAIS?
Foi consenso na mesa que no mínimo teremos oito sedes, a CBF aparentemente deseja 10 e o Governo Federal buscaria ainda até 12 sedes. O número de sedes necessariamente define o número de estádios (apenas exceções permitiriam dois estádios na mesma sede).
Logo, pela disponibilidade de infra-estrutura e também pelo potencial econômico de cada região, Rioli especulou as possíveis sedes (nessa ordem):
Rio de Janeiro (que fará a final no Maracanã e deverá receber a Seleção Brasileira na primeira fase), São Paulo (que pleiteia a abertura), Belo Horizonte (que também está de olho na abertura, mas para isso precisará de outro estádio), Brasília (que corre por fora pela abertura).
Depois Porto Alegre (que anunciou o Beira-Rio como o Estádio da Copa mas quem deve chegar é o Grêmio com seu novo estádio, se conseguir viabilizar seu projeto), Florianópolis (que já tem pré projeto) e Curitiba, com a Arena da Baixada, nesse caso ampliada.
Até aqui temos sete sedes. Nas contas mais conservadoras, falta uma. Mas pode chegar até mais cinco. Nesse caso, nem tanto pela ordem, mas por interesses já demonstrados: Recife (Sport procurando investir na arena), Salvador, Campinas, Ribeirão Preto, Goiânia, Fortaleza e Manaus.
SOBRE DINHEIRO PÚBLICO
Alguns secretários de esporte de governos estaduais estavam presentes. Mas é igualmente consenso que não haverá dinheiro público para investir nas arenas. Nesse caso, tirando a SE Palmeiras, que já tem projeto aprovado e financiador declarado, com início formal das obras para dia 20 de setembro – e obviamente o Maracanã, que será o palco dos jogos da Seleção Brasileira, nenhum outro estádio apresenta condições de receber jogos da Copa do Mundo. Logo precisarão ser reformados – ou em alguns casos substituídos.
Nesse contexto, menos é mais, ou seja, os pequenos estádios (de 30 a 45 mil lugares) são os mais fáceis de se viabilizarem, uma vez que podem se transformar também em arenas multi-eventos, e com isso apresentarem atratividade econômica de trazerem o devido retorno para o investidor.
Grandes estádios precisarão de grandes investimentos. Em Belo Horizonte, o Mineirão não apresenta condições para ser palco da abertura (mínimo de 60 mil lugares) e portanto precisará de forte investimento. Brasília está se candidatando a transformar o estádio Mané Garrincha num verdadeiro palco de abertura, ainda mais com o apelo de ser sede do Governo Federal.
Nadando contra a corrente está o estádio do São Paulo FC, o Morumbi. Carente de vários requisitos exigidos pelas determinações técnicas da Fifa – falta de cobertura para o público, ausência de estacionamento, dificuldade de acesso por transporte público, mais de 10 mil pontos cegos – o Morumbi precisaria de um padrão de investimento privado no seu estádio e público – em transporte público – que corre o risco de não ser escolhido.
Além desses fatores técnicos, há um importante fator político, extraído de um comentário de um secretário de governo de um Estado do Norte do Brasil: “mas vocês não acreditam que haverá uma abertura e uma final do eixo Rio-São Paulo não é?”. Para bom entendedor…
RETORNO x RISCO DE ELITIZAÇÃO
Não há almoço grátis, já dizia o guru. Investidor que colocar 200, 300 milhões de reais numa arena esportiva espera retorno. Geralmente de longo prazo (20 a 30 anos).
Nesse caso as fontes de retorno estão associadas à venda de camarotes, cativas e “naming rights”, além de uma boa parcela da receita vinda dos eventos não esportivos (shows, grandes eventos religiosos, eventos corporativos).
O aumento de ingresso também é esperado. E é natural! Onde atualmente o torcedor vai ao estádio, senta no cimento, não pode ir ao banheiro e briga nas filas para comprar ingresso e entrar, numa arena com lugares marcados, cadeiras em todo o estádio, cobertura, e outros benefícios, a história muda e o preço precisa ser mais caro.
Alguns números foram apresentados nesse sentido. As 10 arenas construídas/reformadas em Portugal para a Euro-2002 são bons exemplos. O público médio, antes da Euro, era de 5 a 7 mil pagantes por jogo, passou a ser de 10 mil com os novos estádios. Isso pode parecer pouco, mas há que se considerar algumas particularidades em Portugal:
- 3 times representam 80% das bilheterias da Liga Portuguesa;
- A população de Portugal não chega a somar o total da população da Grande São Paulo;
- Houve um significativo incremento no preço dos ingressos (chegando a dobrar em alguns casos).
Alguns podem considerar esses dados como elitização. Eu chamo de inexorabilidade!
Vicente Criscio é executivo da Direkt Marketing, já atuou em projetos de avaliação de patrocínios em arenas de entretenimento e tem um blog para a comunidade palmeirense.

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